Tesouro Direto ou CDB: Qual Rende Mais Depois do IR?

Tesouro Direto, CDB ou LCI/LCA: qual rende mais depois do IR?


Afinal, se você já pesquisou "Tesouro Direto ou CDB qual o melhor", provavelmente percebeu que a resposta não é tão simples quanto comparar as taxas anunciadas pelos bancos e corretoras. Isso porque a rentabilidade que aparece na propaganda é sempre bruta — e o que realmente cai na sua conta é a rentabilidade líquida, depois de descontado o Imposto de Renda (quando ele existe). Por isso, neste artigo, vamos comparar Tesouro Direto, CDB e LCI/LCA na prática, considerando a tabela regressiva do IR e a isenção fiscal das letras de crédito, para você decidir qual investimento faz mais sentido conforme o prazo do seu objetivo.

Calculadora ao lado de pilhas de dinheiro identificadas como rendimento bruto e rendimento líquido, com documento de imposto de renda e laptop exibindo investimentos em Tesouro Direto e CDB, representando a tributação dos investimentos em renda fixa.

Como funciona a tributação de cada investimento

Antes de mais nada, é preciso entender a regra do jogo, já que ela muda o resultado final mais do que muita gente imagina.

Tesouro Direto

Os títulos públicos do Tesouro Direto (Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+) são tributados pela tabela regressiva do Imposto de Renda, que incide sobre o rendimento (não sobre o valor total investido):

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Além do IR, há a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano sobre o valor investido (isenta para saldos de até R$ 10 mil no Tesouro Selic, segundo as regras vigentes). Também pode haver taxa de administração, dependendo da corretora — hoje a maioria opera com taxa zero.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

Assim como o Tesouro Direto, o CDB segue exatamente a mesma tabela regressiva do IR. Ou seja, a diferença não está na tributação, mas no risco de crédito: enquanto o Tesouro é garantido pelo Governo Federal, o CDB é uma dívida do banco emissor. Por isso, CDBs contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, o que reduz — mas não elimina — o risco.

LCI e LCA (Letra de Crédito Imobiliário e do Agronegócio)

Aqui está a principal vantagem tributária: LCI e LCA são isentas de Imposto de Renda para pessoa física. Essa isenção existe porque o governo usa esses papéis para incentivar o financiamento dos setores imobiliário e do agronegócio. Além disso, também contam com garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição.

Em contrapartida, para compensar a isenção fiscal, os bancos costumam pagar uma taxa nominal menor do que a de um CDB equivalente. É exatamente esse ponto, portanto, que faz a comparação valer a pena.

Comparando a rentabilidade líquida na prática

Para saber, então, qual investimento realmente rende mais, o ponto de partida é converter a taxa de uma LCI/LCA isenta em uma "taxa equivalente" a um produto tributado. A fórmula é simples:

Taxa equivalente bruta = Taxa da LCI/LCA ÷ (1 − alíquota do IR)

Vamos a um exemplo com prazo de 2 anos (alíquota de 15%, a mais baixa da tabela), usando o CDI de julho de 2026, que está em aproximadamente 14,15% ao ano, refletindo a taxa Selic vigente de 14,25% ao ano definida pelo Copom:

  • CDB pagando 100% do CDI → rendimento bruto de 14,15% ao ano → líquido de aproximadamente 12,03% ao ano (14,15% × 0,85)
  • LCI pagando 90% do CDI, mesmo cenário → rendimento de 12,74% ao ano, integralmente líquido, já que não há IR

Produto Taxa Nominal Alíquota do IR (2 anos) Rendimento Líquido Estimado
CDB 100% do CDI 15% ~12,03% a.a.
LCI / LCA 90% do CDI Isento (0%) ~12,74% a.a.

*(Considerando CDI a 14,15% a.a.)

Balança comparando investimentos em CDB e Tesouro Direto sujeitos ao Imposto de Renda com LCI e LCA isentas de IR, representando a tributação na renda fixa.

Ou seja, nesse exemplo, mesmo pagando uma taxa nominal menor (90% do CDI contra 100% do CDI), a LCI entrega mais dinheiro no bolso do investidor ao final do período. Sendo assim, para bater a LCI, o CDB precisaria pagar algo próximo de 106% do CDI nesse prazo — patamar que existe no mercado, mas geralmente restrito a bancos médios ou pequenos.

Por outro lado, em prazos mais curtos, a conta muda. Isso porque, em até 180 dias, a alíquota do IR sobe para 22,5%, o que penaliza bastante o rendimento líquido de Tesouro e CDB. Em outras palavras, quanto mais curto o prazo, maior é a vantagem relativa de uma LCI/LCA isenta — desde que a taxa oferecida não seja tão baixa a ponto de anular essa vantagem.

Quando o Tesouro Direto se destaca

Vale destacar que o Tesouro Direto não compete apenas em rentabilidade líquida: ele compete também em liquidez e segurança. O Tesouro Selic, por exemplo, tem liquidez diária com recompra garantida pelo Tesouro Nacional, o que o torna a referência para reserva de emergência — um objetivo em que a possibilidade de resgatar o dinheiro a qualquer momento, sem perdas relevantes, pesa mais do que alguns décimos de rentabilidade.

Além disso, o Tesouro IPCA+ é indicado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, porque protege o poder de compra contra a inflação e paga um prêmio real (acima da inflação) fixado no momento da compra.

Vale lembrar também que o Tesouro Direto tem liquidez diária em todos os seus títulos (com preço de mercado no resgate antecipado), algo que CDBs e LCI/LCA muitas vezes não oferecem — muitos desses papéis só permitem resgate no vencimento ou têm carência mínima, especialmente as LCI/LCA, que hoje possuem prazos mínimos de carência regulatórios mais longos (entre 9 e 12 meses, dependendo do papel).

Quando o CDB faz mais sentido

O CDB tende a ser mais vantajoso quando:

  • O banco ou corretora oferece uma taxa bem acima de 100% do CDI (é comum encontrar CDBs de bancos médios pagando 110% a 130% do CDI para atrair clientes)
  • O prazo é longo o suficiente para cair na alíquota de 15% do IR
  • Você já usou parte do limite de isenção implícita das LCI/LCA disponíveis com boas taxas

Vale lembrar que bancos menores costumam pagar mais para captar recursos, e o risco extra é mitigado pela garantia do FGC — desde que o valor aplicado, somado a outros produtos do mesmo tipo na mesma instituição, não ultrapasse R$ 250 mil.

Quando a LCI/LCA vale mais a pena

A LCI/LCA costuma ser a melhor escolha quando:

  • O objetivo tem prazo médio a longo (a partir de 1 ano), o que já supera a carência mínima regulatória desses papéis (9 meses para LCA e 12 meses para LCI)
  • A taxa oferecida está entre 85% e 95% do CDI — faixa em que a isenção fiscal geralmente compensa a taxa nominal menor
  • Você busca diversificar a carteira de renda fixa sem abrir mão da garantia do FGC

Por outro lado, se a LCI/LCA oferecida pagar menos de 80% do CDI, vale fazer a conta antes de decidir — em muitos casos um bom CDB tributado ainda supera essa opção em termos líquidos.

Como escolher conforme o prazo do seu objetivo

Pessoa planejando investimentos em um caderno com linha do tempo para curto, médio e longo prazo, incluindo reserva de emergência, LCI, CDB e Tesouro IPCA+, representando o planejamento financeiro e a organização da carteira de investimentos. 

Uma forma prática de organizar a decisão é pensar no prazo do objetivo financeiro:

  • Reserva de emergência (liquidez imediata): Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária com boa taxa
  • Curto prazo (até 1 ano): CDBs com boas taxas costumam compensar mais, já que a isenção da LCI/LCA perde força quando a alíquota do IR ainda é alta e o prazo não permite aproveitar taxas melhores
  • Médio prazo (1 a 3 anos): LCI/LCA com taxas competitivas tende a superar CDB e Tesouro Direto em termos líquidos
  • Longo prazo (acima de 3 anos): vale comparar LCI/LCA com boas taxas contra o Tesouro IPCA+, que protege contra a inflação — a escolha aqui depende mais do seu objetivo (proteção inflacionária x rentabilidade nominal) do que apenas da tributação

Em resumo, montar uma reserva de emergência em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária, e usar CDB, LCI/LCA e Tesouro IPCA+ para os demais objetivos conforme o prazo, costuma ser a estratégia mais equilibrada para quem está começando a organizar a carteira de renda fixa.

Leia também no Visão de Valor

 Para complementar sua estratégia de renda fixa e diversificar a carteira, vale conferir também:

Perguntas frequentes

Tesouro Direto ou CDB: qual o melhor?

Depende do prazo e da taxa oferecida. Como os dois seguem a mesma tabela regressiva do IR, a comparação deve ser feita pela rentabilidade bruta oferecida e pelo nível de risco: o Tesouro tem garantia do Governo Federal, enquanto o CDB depende da saúde do banco emissor, ainda que protegido pelo FGC até R$ 250 mil.

LCI e LCA pagam Imposto de Renda?

Não. Para pessoa física, LCI e LCA são isentas de IR, o que costuma compensar taxas nominais mais baixas em comparação com CDB, especialmente em prazos de médio a longo prazo.

Qual investimento rende mais em 2 anos: CDB ou LCI?

Em prazos de 2 anos, a alíquota de IR sobre o CDB já caiu para 15%. Mesmo assim, com o CDI em torno de 14,15% ao ano (julho de 2026), uma LCI pagando entre 90% e 95% do CDI costuma superar um CDB de 100% do CDI em termos líquidos, por conta da isenção fiscal.

Vale a pena investir em Tesouro Selic para reserva de emergência?

Sim. O Tesouro Selic tem liquidez diária, baixo risco (garantia do Tesouro Nacional) e rentabilidade próxima da taxa Selic — atualmente em 14,25% ao ano —, o que o torna uma das opções mais indicadas para reserva de emergência.

Existe limite de investimento em LCI e LCA?

Não há limite para o investidor comprar LCI e LCA, mas a garantia do FGC é limitada a R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, considerando a soma de todos os produtos cobertos pelo fundo na mesma instituição.

Como calcular a taxa equivalente de uma LCI/LCA em relação a um CDB tributado?

Basta dividir a taxa da LCI/LCA pelo complemento da alíquota do IR que incidiria sobre um CDB no mesmo prazo. Por exemplo, para uma alíquota de 15%, divida a taxa da LCI/LCA por 0,85 para encontrar a taxa bruta equivalente de um CDB.

Fontes: Banco Central do Brasil (taxa Selic e CDI), Receita Federal (tabela regressiva do IR sobre renda fixa) e Fundo Garantidor de Créditos — FGC (regras de garantia). Dados de mercado consultados em julho de 2026.

Este artigo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Segredo que os Grandes Investidores Usam para Pagar Menos Imposto de Renda

Como Investir em Fundos Imobiliários em 2026

Como Analisar Ações para Investir